sexta-feira, 9 de julho de 2010

Mercedes Sosa


Mercedes Sosa, nasceu em San Miguel de Tucuman, Argentina, em 9 de julho de 1935 e faleceu em 4 de outubro de 2009 em Buenos Aires, onde morava.
Com raízes na música folclórica ela se tornou um expoente da Nueva Canción. Apelidada de La Negra pelos fãs, também ficou conhecida como a voz dos "sem voz". Nascida no dia da Declaração da Independência, e na mesma cidade onde foi assinada, ela sempre foi patriota. Foi árdua defensora do Pan-americanismo e da integração dos povos da América Latina.
Após a ascenção militar do governo Jorge Videla, foi banida e se refugiou em Paris, depois em Madri. 
Sosa era embaixadora da Boa Vontade da UNESCO para a América Latina e Caribe. Ganhou 3 prêmios Grammy.
Gravou com Leon Gieco, Charly Garcia, Fito Páez, Chico Buarque, Daniela Mercury, Milton Nascimento, Gal Costa, Caetano Veloso, Sting, Andrea Bocelli, Pavarotti e recentemente com Shakira.
Sinceramente, senti uma tristeza imensa com a perda dessa grande intérprete.




sábado, 3 de julho de 2010

Filho do Universo


No meio da precipitação urbana
lembre-se de que talvez
a paz se encontre no silêncio.
Faça um esforço honesto e continuado
para se dar bem com todos.
Fale a verdade claramente, mas com brandura
e ouça o outro, mesmo os ignorantes e sem brilho
eles terão igualmente as suas histórias para contar.
Evite as pessoas agressivas que falam alto,
pois elas trazem constrangimento ao espírito.
Se você se comparar com os demais
poderá tornar-se vaidoso ou amargo,
pois existirão sempre os que estão piores,
ou melhores que você na vida.
Saiba apreciar as suas realizações, seus planos.
Tome gosto pela sua carreira
por mais humilde que ela seja:
é o único bem verdadeiramente seu.
Trate de seus negócios com muito cuidado,
pois o mundo está cheio de espertos,
mas não endureça seu coração
e saiba descobrir o lado bom das pessoas.
Ainda há idealistas nesse mundo,
e por toda parte encontraremos atos de heroísmo.
Seja você mesmo.
Sobretudo não finja amizade
nem ponha cinismo no amor.
Apesar de tudo que se diz por aí
o amor ainda é eterno.
Aceite com doçura o conselho dos anos
e saiba renunciar aos hábitos propícios da juventude.
Mantenha o espírito galvanizado
para aguentar as surpresas da vida.
Mas não se aflija com imaginações.
O medo nasce do cansaço e da solidão.
Acima de qualquer auto disciplina
seja generoso consigo mesmo,
afinal você é filho do universo
tanto quanto as árvores e as estrelas
e tem tido direito de estar aqui.
Embora isso não lhe pareça muito claro
o certo é que o velho universo
está se desdobrando por sua causa.
Portanto esteja em paz com Deus.
E por mais agitados e extenuantes
que sejam as suas atividades nesse planeta
entre barulhentas confusões
e aspirações da vida
procure conservar a paz de espírito.
Porque apesar de tudo
que anda acontecendo por aí a fora
este mundo ainda é ótimo!
Você só precisa ter cuidado
e fazer seu esforço diário para ser "feliz"!!

autor desconhecido
manuscrito encontrado numa igreja em Boston, por volta de 1644

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Além da Imaginação

Tem gente passando fome
e não é a fome que você imagina
entre uma refeição e outra.
Tem gente sentindo frio
e não é o frio que você imagina
entre o chuveiro e a toalha.
Tem gente muito doente
e não é a doença que você imagina
entre a receita e a aspirina.
Tem gente sem esperança
e não é o desalento que você imagina
entre o pesadelo e o despertar.
Tem gente pelos cantos
e não são os cantos que você imagina
entre o passeio e a casa.
Tem gente sem dinheiro
e não é a falta que você imagina
entre o vale e o salário.
Tem gente pedindo ajuda
e não é aquela que você imagina
entre a escola e a novela.
Tem gente que existe
e parece imaginação.

Ulisses Tavares

terça-feira, 18 de maio de 2010

Das Vantagens de Ser Bobo



O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus? "Bobo não reclama. Em compensação, como exclama! Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor.
E só o amor faz o bobo.
Clarice Lispector

sábado, 8 de maio de 2010

Caroline Lavelle




Nascida em 8 de maio de 1964 em Londres, Caroline é cantora, compositora e violoncelista. Já gravou 3 albuns e participou de diversos outros trabalhos, cantando e tocando, inclusive com Enya.
Seu canto etéreo é comparado por alguns como as sereias da mitologia grega ou, mais apropriadamente, com as criaturas do folclore escocês Selkie. 


sábado, 24 de abril de 2010

A Última Noite de Um Bamba

O espetáculo “A última noite de um bamba”, contemplado pela Lei Murilo Mendes e pelo projeto Sérgio Lessa,  utiliza dança, música, teatro e audiovisual para contar a vida e a obra do nosso ilustre conterrâneo, o sambista Geraldo Pereira, vivido por Daniel Januário. A direção geral e coreografia estiveram a cargo de Silvana Marques; os figurinos com assinatura de Érika Senra; a direção de vídeo e edição são de Alessandro Arbex e a direção de arte e de cenografia são do artista Ramón Brandão. O espetáculo utiliza, como fio condutor para mostrar o trabalho de Geraldo Pereira, a última e derradeira visita do compositor a uma gafeira.










quinta-feira, 8 de abril de 2010

Felicidade Realista


A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

Mário Quintana